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Pesquisa destaca resultado promissor no pós-colheita

Uma pesquisa sobre a manutenção de qualidade e controle de doenças na pós-colheita foi desenvolvida na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), envolvendo espécie da citricultura brasileira que representa um papel extremamente relevante na fruticultura. Nesse caso, o estudo do mestre em Fisiologia e Bioquímica de Plantas, Ariel Sharon de Araujo Nogueira Marcelino, foi aplicado sobre uma das principais espécies cultivadas e comercializadas, com destaque no mercado nacional e internacional de frutos in natura.

Trata-se da lima ácida ‘Tahiti’, um importante fruto no que diz respeito à disposição de compostos bioativos, como vitamina C, flavonoides e ácidos fenólicos, relacionados a promoção de saúde. “Esses aspectos impulsionam o mercado e estabelecem padrões rigorosos de qualidade e sanidade para atender as exigências de mercados consumidores”, explica Marcelino.

Para atender essas exigências, o projeto incidiu sobre avaliação de um produto alternativo aos fungicidas comerciais, geralmente aplicados na etapa de beneficiamento, com o objetivo de avaliar o desempenho de um produto biológico à base de estirpes de Bacillus amyloliquefaciens, B. velezensis e B. mojavensis no controle de Penicillium italicum e Geotrichum citri-aurantii na pós-colheita de lima ácida ‘Tahiti’, bem como investigar os efeitos desse tratamento sobre respostas fisiológicas, bioquímicas e atributos de qualidade dos frutos.

O projeto foi dividido em duas partes: a parte que avalia a eficiência do produto sobre os fungos, com avaliações in vitro e in vivo, e a avaliação dos parâmetros de qualidade, com análises dos parâmetros fisiológicos e bioquímicos dos frutos que receberam a aplicação do produto biológico. “O packing house é uma instalação responsável pelo beneficiamento de frutos e é um sistema dividido em etapas. Entre as etapas, está aquela em que há aplicação de produtos. Para a lima ácida, é feita aplicação de fungicidas geralmente pelo banho. O produto foi aplicado da mesma forma que fungicidas são habitualmente aplicados em packing house. Além disso, sua eficiência foi comparada aos principais fungicidas utilizados e seus efeitos sobre os fungos estudados”, destacou o pesquisador.

O causador do bolor verde, P. digitatum é o principal patógeno de importância em citros, mas espécies como P. italicum e Geotrichum citri-aurantii também representam preocupação para a citricultura. A pesquisa relata que muitos trabalhos focam apenas no P. digitatum e, dessa forma, decidiu-se estudar o potencial do produto sobre um fungo do mesmo gênero, mas igualmente relevante. E o Geotrichum citri-auranti tem sido destacado como um patógeno cujos produtosdisponíveis não são direcionados ao seu controle, podendo fugir da atividade do produto. Ainda, foi observado os efeitos do produto sobre os aspectos de qualidade, para validar o potencial do produto dentro de um maior espectro dentro da pós-colheita de lima acida ‘Tahiti’.

Nas avaliações in vitro, foi observado uma redução significativa no crescimento micelial tanto para P. italicum quanto para G. citri-aurantii, sendo de 74,32% e 58%, respectivamente, demonstrando um bom efeito fungistático. Quando in vivo, a incidência de doença e a severidade também foram reduzidas em relação ao controle com uma diferença de 33%. Já em frutos com P. italicum, já em frutos contaminados com G. citri-aurantii, observou-se um melhor desempenho do produto biológico em relação a um dos fungicidas comerciais, com uma diferença de 35% em relação ao fungicida, demonstrando um melhor controle da doença ao longo do tempo.

Ainda foi observado que o produto biológico não interferiu sobre os parâmetros de qualidade do fruto que são requeridos pelo mercado. Apesar do principal foco ser a avaliação do potencial de controle do produto, observar o desempenho sobre os parâmetros de qualidade é interessante, pois permite verificar se sua aplicação é viável não apenas do ponto de vista fitossanitário, mas também comercial como cor, sólidos solúveis, acidez, perda de massa, conteúdo de ácido ascórbico, etc.

Quando se fala em benefícios da pesquisa, Marcelino destaca que esse é um estudo inicial que ainda demanda de investigações mais aprofundadas, mas os resultados preliminares apontam como benefícios um efeito positivo na aplicação do produto, com redução evidente no crescimento do fungo e desenvolvimento da doença nos frutos. “Sabendo da necessidade de produtos alternativos que sejam eficientes, essa pesquisa pode ampliar o campo de visão dentro da pós-colheita de modo implementar técnicas e produtos mais sustentáveis e eficientes”, ponderou Marcelino.

Quanto aos resultados promissores, o pesquisador avalia que, por se tratar de um produto biológico, sugere-se a investigação mais aprofundada de seus efeitos em nível bioquímico e molecular. Ele destaca que a literatura já demonstra que aplicações de bactérias do gênero Bacillus na pós-colheita podem influenciar o acúmulo de compostos relacionados à defesa, como fenólicos e induzir enzimas antioxidantes, contribuindo para a resistência do fruto ao patógeno. Além disso, a investigação dos mecanismos de ação específicos de cada estirpe isoladamente e em conjunto é interessante, uma vez podem atuar por vias distintas, como produção de metabólitos antimicrobianos, indução de resistência etc, dispondo de informações de como podem interagir de maneira sinérgica no controle de patógenos.

“Ainda, dentro do contexto da pós-colheita, vale verificar o efeito de diferentes condições de armazenamento sobre desempenho do produto, como temperaturas mais baixas, bem como a aplicação combinada com outras tecnologias, como combinação com cera ou outros revestimentos, tratamento térmico, etc, no controle e na qualidade da lima ácida ‘Tahiti’, finalizou o pesquisador.

Alicia Nascimento Aguiar | MTb 32531
Fonte: Esalq
Foto: Gerhard Waller

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