A competitividade no mercado global de soja tem se intensificado nos últimos anos, com reflexos diretos sobre produtores e exportadores. Levantamento citado por Joana Colussi e Michael Langemeier indica que, em janeiro de 2026, 44% dos agricultores norte-americanos se declararam muito preocupados e 36% preocupados com a competitividade das exportações dos Estados Unidos frente ao Brasil, conforme dados do Purdue University Ag Economy Barometer.
Desde 2018, quando o Brasil superou os Estados Unidos como maior produtor mundial de soja, o país ampliou sua presença no comércio internacional. A análise compara propriedades típicas em Iowa e em Mato Grosso entre 2020 e 2024, com base em dados padronizados da rede agribenchmark. Juntos, os dois países respondem por quase 70% da
produção global, segundo o USDA-FAS.
Os dados mostram diferenças estruturais relevantes. No Brasil, os custos diretos, como fertilizantes e defensivos, representaram mais de 60% do total no período, refletindo a dependência de insumos e as características do Cerrado. Já nos Estados Unidos, os custos indiretos tiveram maior peso, próximos de metade do total, influenciados pela valorização das terras agrícolas, conforme apontado pela Purdue University.
Entre 2020 e 2024, o custo total por tonelada quase dobrou na fazenda brasileira analisada, passando de 172 dólares para 337 dólares, pressionado pela alta internacional dos fertilizantes e pela desvalorização cambial. Nos Estados Unidos, o avanço foi de 13%, chegando a 448 dólares por tonelada, com aumento das despesas operacionais, segundo o USDA-ERS.
Apesar da escalada de custos, a rentabilidade brasileira permaneceu positiva, sustentada pela demanda externa, especialmente da China, que respondeu por 71% das exportações no período, de acordo com Colussi e colaboradores. No caso norte-americano, houve maior volatilidade, com registros de perdas em 2020 e 2024 e maior pressão financeira desde 2023, conforme Langemeier e Colussi.
Fonte: Agrolink



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