A diversidade territorial e produtiva aparece como um dos principais fatores para a competitividade da vitivinicultura brasileira, mas o avanço do setor depende de maior coordenação entre produção, indústria, mercado e consumo. Um estudo nacional recém-concluído aponta que a cadeia não funciona de forma linear e reúne diferentes modelos produtivos, níveis de organização e estratégias regionais.
O levantamento Brasil Vitivinícola: Panorama Estratégico e Mapeamento da Cadeia de Valor da Vitivinicultura Brasileira foi apresentado durante a Wine South America, em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul. A pesquisa foi desenvolvida pela Planorural, em parceria com o Consevitis-RS e o Sebrae Nacional, ao longo de cerca de 15 meses, com uso de bases como IBGE, MAPA, Embrapa, SIPEAGRO, SIVIBE, INPI e Comex Stat.
Segundo o estudo, a produção brasileira de uvas ocupa cerca de 84,4 mil hectares, alcança aproximadamente 1,82 milhão de toneladas por ano e movimenta R$ 8,3 bilhões em valor da produção agrícola, distribuídos em 1.215 municípios. Apesar da escala, o levantamento mostra que produzir mais não significa, necessariamente, capturar mais valor.
O Nordeste responde por 47,73% da produção nacional de uvas, com predominância do consumo in natura, mas reúne apenas 8,66% dos registros formais no SIPEAGRO. Já o Sul concentra 42,05% da produção, com forte presença de uvas destinadas ao processamento, e responde por 47,56% dos registros, indicando maior estrutura institucional e industrial.
Entre os gargalos apontados estão a baixa integração entre os elos da cadeia, a assimetria de informações e as diferenças de maturidade entre territórios. O estudo indica que regiões e empresas que avançam em transformação local, marca própria, indicação geográfica, enoturismo e venda direta ampliam a capacidade de geração de receita.
Fonte: Agrolink



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