Notícias

Novo aplicativo apoia produtores na classificação e manejo de previsões e doenças do cajueiro

O Monitora Caju, aplicativo desenvolvido pela Embrapa Agroindústria Tropical (CE), auxilia produtores e técnicos da extensão rural no monitoramento e diagnóstico do oídio (Pseudoidium anacardii), principal doença da cajucultura, da traça-da-castanha (Anacampsis fitomiella) e da broca-das-pontas (Anthistarcha binocularis), emblemática com grande potencial de dano à cultura. A ferramenta também orienta o manejo fitossanitário, conforme o nível de incidência identificado, o que contribui para prevenir infestações, reduzir perdas e diminuir custos de produção.

Desenvolvido para celular (sistemas Android e iOS) e computador, o Monitor Caju funciona sem necessidade de conexão com a internet. A ferramenta disponibiliza informações organizadas por categorias, como pragas, doenças, sintomas e monitoramento, orientando o usuário na vistoria do pomar, na identificação de problemas e no manejo fitossanitário. Além disso, reúne um amplo acervo de publicações da Embrapa com resultados de pesquisas sobre a fitossanidade do cajueiro.

A ferramenta de Manejo Integrado de Pragas (MIP) e doenças do cajueiro indica o momento mais adequado para a tomada de decisão do produtor na gestão fitossanitária do pomar. O aplicativo permite ao usuário avaliar as condições fitossanitárias das plantas com base no que observa em campo, comparando com imagens de exemplares sadios e com sintomas de sentenças ou doenças, disponíveis no banco de dados, facilitando o diagnóstico.

De acordo com o pesquisador Marlon Valentim , coordenador dos estudos para desenvolvimento do aplicativo, a tecnologia é de fácil acesso e fornece informações seguras, em linguagem simples, na palma da mão, que ajudam a manter a sanidade dos plantios. “A cajucultura é uma atividade de base familiar e cuidado de inovações tecnológicas e serviços de assistência técnica no campo. Contar com respostas rápidas e eficientes faz toda a diferença para o produtor rural e pode fortalecer a produção de caju no Nordeste, especialmente em áreas rurais mais distantes que ainda convivem com a falta de conectividade no campo”, ressalta o fitopatologista.

Diagnóstico em campo
Os comandos autoexplicativos facilitam o uso do Monitora Caju e possibilitam o reconhecimento da praga ou da doença e o diagnóstico em campo. A partir de informações fornecidas em cada tela, o aplicativo calcula o índice de incidência e, de acordo com o resultado, orienta sobre as medidas de controle permitidas.

“A maioria dos produtores de caju sabe considerar um ataque de oídio, da traça-da-castanha e da broca-das-pontas, por serem problemas comuns nos pomares. Mas, como estratégia para adoção da tecnologia em larga escala, serão oferecidas capacitações para produtores e técnicos extensionistas, modernizando esses conhecimentos” enfatiza Valentim.

Pragas e doenças do período de frutificação
Embora seja uma planta rústica, o cajueiro é altamente suscetível a práticas e doenças, exigindo cuidados contínuos com a sanidade do pomar, para evitar perdas na produção e prejuízos econômicos. No Brasil existem cerca de 1.200 espécies de insetos-praga que atacam a planta em diferentes momentos do seu desenvolvimento. A traça-da-castanha e as brocas-das-pontas, pequenas lagartas que danificam diferentes partes do cajueiro, estão entre as principais durante o período de frutificação.

A traça-da-castanha perfura as castanhas de caju e se alimenta das amêndoas. Já o broca-das-pontas consome a parte central dos ramos florais, interrompendo o fluxo da seiva na planta e impedindo a formação de frutos. O pesquisador Antonio Lindemberg observa que, em regiões onde o produtor não faz o monitoramento, a infestação chega a 80% de castanhas furadas, ou seja, de 100 castanhas, 80 têm a amêndoa quebrada. Em ataques de broca-das-pontas o nível de ramificações afetadas varia de 20% a 30%.

O entomologista explica que, de todas as declarações do cajueiro, o mais prejudicial é a traça-da-castanha porque a infestação ocorre quando a planta já está no seu ciclo final de produção. Para atacar o fruto (a castanha) em formação ou já formado, esse inseto coloca em risco todo o investimento feito no plantio. Além disso, é uma praga silenciosa e o produtor só percebe a castanha furada quando o dano já está feito. “Fazer a identificação adequada e conhecer o comportamento das regras, bem como a época de ocorrência, é essencial para um manejo eficaz”, complementa.

No rol de doenças da cajucultura, o oídio se destaca como o mais agressivo. De rápida disseminação, essa infecção fúngica está presente na maioria das regiões produtoras de caju e quando não controlada pode causar danos significativos aos plantios. Segundo Valentim, o ódio ataca o cajueiro em todas as fases da cultura, mas os maiores danos ocorrem durante a agitação e a frutificação. “Quando atingem as inflorescências, provocam a queima e a morte das flores, impedindo a formação de frutos. É crucial monitorar os sintomas como medida preventiva. Esse cuidado possibilita o controle integrado da doença e a adoção de medidas adequadas”, pontua.

Metodologia para o monitoramento
Estudos da Embrapa orientam que no Manejo Integrado de Pragas o monitoramento seja realizado de forma contínua, a partir da implantação da área cultivada. Esse envio sistemático facilita o controle fitossanitário e reduz o uso de defensivos químicos, evitando equívocos e gastos desnecessários, com economia para o agricultor e benefícios para o consumidor e meio ambiente.

O monitoramento deve considerar os sintomas. No caso das brocas das pontas, é importante identificar inflorescências murchas, secas ou ramos florais quebrados, além da presença de buracos nos ramos e de fezes das lagartas na parte superior das folhas localizadas abaixo dos ramos atacados. Já no caso da traça-da-castanha, é preciso verificar a presença de furo nas castanhas. Quanto ao oídio, o principal sintoma a ser observado é a ocorrência de cinza na superfície das folhas, inflorescências, frutos e ramos jovens.

A metodologia desenvolvida para o monitoramento com o aplicativo, preconiza a definição da amostragem em função do tamanho da área. “Para um pomar de até cinco hectares, recomendamos uma amostra de 10 plantas e o monitoramento de cinco ramos ao redor de cada uma. Quando o controle ocorre no início do ataque à praga, o custo é menor e os riscos de perda. Por isso, orientamos iniciar o processo quando 3% a 5% dos ramos amostrados apresentam infestação de broca-das-pontas, e 5% das castanhas furo possuem”, aponta Lindemberg.

Ainda de acordo com o pesquisador, essa orientação permite melhorar o ritmo na realização do monitoramento. O produtor rural necessita de métodos ágeis de manejo fitossanitário, que proporcionem rentabilidade à cajucultura e reduzam custos com defensivos. O aplicativo Monitora Caju fornece uma metodologia bem orientada e ainda facilita o acesso a uma gama de informações sobre fitossanidade do cajueiro, geradas pela pesquisa, e disponibilizadas em forma de publicações.

O controle de estratégias e doenças é essencial para garantir o rendimento na cajucultura. O produtor precisa conhecer o problema, fazer o monitoramento em todas as fases da cultura e adotar as medidas adequadas. “É importante levar em consideração o custo-benefício do Manejo Integrado de Pragas, por se tratar de um processo que envolve baixo investimento e ajuda a conferir sustentabilidade a longo prazo”, afirma Lindemberg.

Mapas de festival
O Monitora Caju também permite gerar mapas de ocorrência do oídio, da traça-da-castanha e da broca-das-pontas. O aplicativo registra todo o processo de monitoramento e permite que o produtor forme seu próprio banco de dados, com informações sobre a evolução das declarações e doenças avaliadas. Além disso, indica a localização geográfica das infestações, permitindo rastreá-las por localidade. Os mapas gerados podem subsidiar a formulação de políticas públicas de controle fitossanitário e o fortalecimento da cajucultura brasileira. “Precisamos de políticas públicas baseadas em informações reais do campo. Ter um panorama da ocorrência de previsões e doenças e dos níveis de incidência também pode direcionar novas pesquisas científicas e contribuir para a geração de conhecimentos inéditos sobre a cajucultura”, pondera Valentim.

Apoio na adoção da tecnologia

A cajucultura gera trabalho e renda para centenas de famílias da região Nordeste. Os estados do Ceará, Rio Grande do Norte e Piauí respondem por 95% da produção nacional de castanha de caju, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com o último Censo do Instituto, 143.173 estabelecimentos rurais cultivam o cajueiro no País. Desse total, 62,8% possuem pomares com menos de 50 plantas, o que caracteriza a cajucultura como uma atividade de base familiar. O conhecimento sobre estratégias e doenças, o monitoramento contínuo do pomar e a proatividade no controle fitossanitário são primordiais para a obtenção de pomares sadios e produtivos.

Para o coordenador da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural no Ceará (Senar/CE), Marcelo Colaço, o Monitor Caju é uma tecnologia inovadora, com grande potencial de alcance na agricultura familiar. Há um contingente expressivo de pequenos e médios produtores de caju que não têm acesso a tecnologias e contam com uma ferramenta para uso no celular, com a vantagem de não depender de rede de internet, é um diferencial, que pode trazer mudanças significativas no campo, por meio de melhores resultados na produção e na geração de renda.

“Temos uma equipe de técnicos extensionistas que atende cerca de 600 cajucultores do Ceará e pode apoiar e expandir a adoção do Monitora Caju junto a essas famílias, como ferramenta de controle fitossanitário. Além de diagnóstico rápido, o produtor saberá como controlar o problema. A agilidade na identificação de estratégicas ou doenças do cajueiro e a adoção imediata de medidas de controle torna o processo mais eficaz, seguro e econômico”, avalia o gestor.

Fonte: Embrapa
Fonte fotos: Marlon Valentim, Francisco Williams e Antonio Lindemberg

Deixe um comentário

  • Qualidade
Link para o WhatsApp